1996 – 1998
Durante a VI Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada na China, em setembro de 1995, o Instituto Nacional de Câncer reconheceu a necessidade de propor um programa de âmbito nacional visando o controle do câncer do colo do útero no Brasil. Uma equipe de técnicos do Ministério da Saúde, em parceria com diferentes organismos nacionais e internacionais, elaborou um estudo piloto que, mais tarde, subsidiaria o Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero. A este estudo deu-se o nome de Programa Viva Mulher.

O Projeto Piloto Viva Mulher foi implantado entre janeiro de 1997 e junho de 1998 em seis localidades brasileiras (Curitiba, Brasília, Recife e Rio de Janeiro, Belém e estado de Sergipe) no qual foram atendidas 124.440 mulheres.

Com base na experiência adquirida, procedeu-se à expansão das ações para todo país já como Programa Nacional de Controle do Colo do Útero Viva Mulher. Foi desenvolvida a primeira fase de intensificação, no período de 18 de agosto a 30 de setembro de 1998, com a adoção de estratégias para estruturação da rede assistencial, estabelecimento de um sistema de informações para o monitoramento das ações e dos mecanismos para mobilização e captação de mulheres para controle, assim como definição das competências nos três níveis de governo. Durante essas seis semanas, mais de 3 milhões de mulheres foram mobilizadas a fazerem o exame citopatológico.

1999 – 2002
A continuidade das ações nos anos seguintes (1999 a 2001) se deu por meio da ampliação da oferta de serviços, tendo sido realizados 8 milhões de exames citopatológicos por ano.

Em 2002, o fortalecimento e qualificação da rede de atenção básica e a ampliação de centros de referência possibilitou a realização de uma segunda fase de intensificação, priorizando mulheres entre 35 a 49 anos que jamais haviam se submetido ao exame preventivo ou que estavam sem fazê-lo há mais de três anos. Nesta segunda fase, foram examinadas mais de 3,8 milhões de mulheres.

2003 - 2004
Nesse período se procurou contribuir para a qualidade dos exames citopatológicos com a publicação do livro “Nomenclatura Brasileira Para Laudos Citopatológicos Cervicais e Condutas Clínicas Preconizadas”.

Outra ênfase foi dada à rede de atenção oncológica e à interface entre os vários níveis de complexidade (Atenção Básica, Média e Alta), sem o recurso do mecanismo de convênio, mas com proposta de novas estratégias de financiamento e desenvolvimento gerencial de estados e municípios.

O Sistema de Informação (SISCOLO) foi modernizado. Foram elaborados indicadores de monitoramento das ações de controle do câncer do colo do útero.

2005 – 2007
A partir de 2005, as diretrizes estratégicas de implementação das ações de controle contemplaram a formação de uma rede nacional integrada, com base em um núcleo geopolítico gerencial, local ou regional, construído para ampliar o acesso aos serviços de saúde.
 
Em 2006 o INCA assessorou os estados brasileiros na organização do Programa por meio de seminários, palestras, cursos e capacitações.

Entre os projetos de pesquisa que respaldam as ações de diagnóstico precoce, destacaram-se o seguimento das mulheres com alterações no exame citopatológico na região metropolitana do estado do Rio de Janeiro.

Uma metodologia de programação de ações foi elaborada. O Sistema de Monitoramento do Câncer de Colo do Útero (SISCOLO) ganhou uma nova versão (4.0) e o diagnóstico dos pólos de Cirurgia de Alta Freqüência foi atualizado. Dentre as outras ações, o INCA participou da construção dos Cadernos de Atenção Básica, junto ao Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde, da Agenda da Mulher e do Caderno do Climatério da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres do Ministério da Saúde.

Em 2007, em oficina realizada em outubro com os coordenadores estaduais do Programa, foi avaliada a versão 4.0 do SISCOLO. O INCA participou ainda da reestruturação dos procedimentos relacionados aos cânceres do colo do útero e da mama em conjunto com a Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde. A Portaria nº 2918/SAS de 13/11/07 criou novos procedimentos e revisou os existentes com o objetivo de aprimorar a informação a ser coletada no Sistema de Informação Ambulatorial (SAI/SUS) e Sistema de Informação Hospitalar (SIH/SUS) para o acompanhamento das ações de controle. Ao completar 10 anos de existência, o Programa de Controle do Câncer do Colo do Útero registrou, de acordo com a Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil para 2008, uma estabilização na curva de incidência do câncer do colo do útero na população. Nas capitais brasileiras, a estimativa foi de redução da incidência.